A Ordem de Cristo

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1 A Ordem de Cristo foi oficialmente fundada em 1319 através da bula Ad ea ex quibus, do Papa João XXII, mas a sua existência foi um plano mestre do Rei D. Dinis para manter os bens e os cavaleiros da Ordem do Templo protegidos em Portugal após a perseguição de Filipe o Belo.

2 Ao contrário do resto da Europa, onde os Templários foram queimados e os seus bens confiscados pela Igreja, em Portugal houve uma transferência direta de todo o património, castelos e frotas para a nova Ordem de Cristo, mantendo a estrutura militar intacta.

3 O segredo da fundação reside na negociação diplomática de D. Dinis que convenceu o Papado de que a Ordem era necessária para a defesa do Algarve contra as incursões mouras, quando na verdade estava a salvaguardar a elite marítima e científica da época.

4 A sede foi inicialmente em Castro Marim, um ponto estratégico de controlo naval, antes de ser transferida em 1357 para Tomar, o centro espiritual e geográfico onde os Templários já tinham edificado a Charola, baseada na Rotunda do Santo Sepulcro de Jerusalém.

5 Um dos maiores segredos da Ordem de Cristo foi o domínio da ciência náutica e da cartografia secreta, que transformou Portugal na maior potência marítima, utilizando conhecimentos que não estavam disponíveis para as outras nações europeias.

6 O Infante D. Henrique, como Administrador e Governador da Ordem de Cristo, utilizou os vastos recursos financeiros da Ordem para fundar a Escola de Sagres e financiar as caravelas que levavam a Cruz de Cristo nas velas como símbolo de jurisdição espiritual e temporal.

7 A Ordem detinha o "Mestrado" de todas as igrejas e benefícios em terras descobertas, o que significa que, juridicamente, o império português não pertencia apenas à coroa, mas sim à Ordem de Cristo, criando um estado dentro do estado.

8 Os cavaleiros professavam votos de castidade, pobreza e obediência, mas a sua função principal era a guarda de documentos e relíquias que traziam do Oriente, muitos dos quais permanecem ocultos nas criptas do Convento de Cristo em Tomar.

9 A Janela Manuelina do Convento de Cristo não é apenas arte; é um registo em pedra da união entre o poder divino, a natureza e as descobertas, contendo simbologia que descreve a rota para as "Índias" e o domínio dos mares muito antes da história oficial o admitir.

10 O fim da autonomia da Ordem aconteceu apenas séculos depois com a sua integração na Coroa Portuguesa, mas o seu legado permanece nos arquivos secretos da Torre do Tombo e na própria bandeira de Portugal, que ainda hoje carrega a herança visual da Cruz Templária.

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