O SIRESP e a "Soberania" de Fachada: Quem está realmente ao comando?


O que nos dizem sobre o SIRESP — o sistema que deveria ser a espinha dorsal da nossa segurança — é uma mentira de luzes e sombras. Enquanto o governo fala em "modernização" e "reforço de resiliência", a verdade, revelada pelas sucessivas falhas de 2017, 2025 e 2026, é que Portugal foi entregue a um sistema de dependência comercial.

1. O Negócio da Nossa Insegurança

Não é incompetência, é estratégia. O SIRESP é uma Parceria Público-Privada (PPP) que transformou a nossa proteção civil num produto de prateleira. Quando a rede falha por 14 horas em momentos de tragédia, não está a falhar o sistema; está a revelar-se a prioridade: o lucro das operadoras (MEO, NOS, Altice) está acima da vida dos cidadãos.

2. O Papel da ANACOM e a Omissão de Deveres

Onde está a ANACOM nesta equação? O regulador, que deveria ser o garante da soberania e da qualidade das comunicações, mantém-se num silêncio cúmplice. Ao permitir que infraestruturas estratégicas operem com baterias de autonomia irrisória — em muitos casos, menos de 6 horas — a ANACOM legitima o desmantelamento da nossa capacidade de resposta a catástrofes. Eles não estão a regular; estão a gerir a nossa vulnerabilidade.

3. A Ilusão dos "Lobbies"

O atual Ministro da Administração Interna, Luís Neves, aponta o dedo a "lobbies" e "monopólios", mas guarda os nomes para si. Esta ambiguidade é a ferramenta perfeita para a opacidade. Se o governo sabe quem nos está a vender a segurança, que apresente os nomes, os contratos e os documentos. O silêncio sobre a identidade dos responsáveis é a prova de que o sistema protege os seus próprios arquitetos.

4. A Vigilância Privada: A "Funcionalidade" Oculta

O facto de técnicos de empresas privadas terem capacidade para ouvir comunicações das nossas forças de segurança e localizar terminais em tempo real não é uma falha técnica — é uma porta aberta para o controlo total. Quem controla as comunicações, controla a hierarquia. Quem controla a hierarquia, controla o país.

5. O Propósito dos Apagões: O Medo como Moeda

A pergunta que fica é: por que é que um sistema concebido para ser robusto falha sempre que a crise aperta?

  • O Ciclo de Investimento: Cada falha justifica novos milhões do PRR em soluções temporárias (como a Starlink), alimentando os mesmos interesses.

  • A Erosão da Soberania: Desmantelar o rádio amador e a rede descentralizada — que funcionavam por dever e honra — para implementar um sistema centralizado, proprietário e vulnerável, foi um ato consciente. Queriam tirar o poder das mãos do povo e entregá-lo aos lobbies.

Exigimos Respostas: Não aceitamos mais slogans. Queremos transparência total sobre os contratos, auditorias independentes e o fim imediato da dependência de infraestruturas privadas em setores críticos. O SIRESP não pode ser uma "discoteca" de lucros enquanto o país arde.

A soberania não se negoceia.

Enquanto nos distraem com discussões de bastidores sobre fundos do PRR e licitações, a realidade no terreno continua a mesma: comunicações de papel e soberania à venda.

Estamos de vigia. 

NÓS NÃO PERDOAMOS. NÓS NÃO ESQUECEMOS.

TODOS SOMOS UM... E O UM SOMOS TODOS

0 Comentários