A capacidade de prever o resultado de um evento através de uma visão ou de um sonho, também conhecida como premonição, é um dos mais antigos mistérios da humanidade. Ao longo da história, em diferentes culturas, a premonição sempre esteve presente em grandes personagens e diferentes períodos de tempo, podendo até ser considerada como parte da própria condição humana. As premonições manifestam-se em todos os níveis: desde visões xamânicas antigas até uma pessoa simples que hoje tem a premonição de um acidente de avião. Este fenómeno inclui toda a gente, desde imperadores e papas até ao cidadão mais comum. Vamos recordar algumas das premonições mais célebres de grandes figuras da história.
Constantino I e o Sinal Divino
Constantino I, "O Grande", imperador de Roma de 307 d.C. a 337 d.C., herdou um império mergulhado em grandes problemas, assolado por lutas de poder, rebeliões, guerra e uma pobreza crescente. Nos conflitos da Tetrarquia (o sistema de quatro imperadores), Constantino conseguiu manter uma neutralidade que, finalmente, o colocou numa posição de força, mas teve de lutar por ela.
Em 28 de outubro de 312 d.C., o Imperador Constantino reuniu-se com o seu rival, o Imperador Maxêncio, junto à Ponte Mílvia, que cruza o rio Tibre, nos arredores dos muros de Roma, para travar uma batalha nunca antes vista. Maxêncio tinha preparado Roma para um longo cerco, abastecendo-a de alimentos e fortalecendo-a a um ponto que lhe deveria permitir resistir ao ataque de Constantino indefinidamente. No último momento, contudo, influenciado por um presságio de que a batalha teria lugar no dia do aniversário da sua ascensão ao trono, Maxêncio cometeu o erro de escolher combater em campo aberto.
Constantino, por outro lado, recebera algo muito mais forte do que um simples prenúncio. A 27 de outubro, na véspera da batalha, olhou para o céu e viu o símbolo do "Chi Rho" acima do sol, junto com as palavras escrito em grego: "Por este sinal, vencerás". Naquela noite, num sonho, Cristo apareceu-lhe e explicou que se o símbolo fosse pintado nos escudos e bandeiras, a vitória seria sua. Constantino fez exatamente o que lhe foi instruído e venceu. Ele continuou a usar o símbolo nos escudos dos seus soldados até se tornar o único imperador do Império Romano. Hoje, o símbolo ainda é usado em larga escala, especialmente no catolicismo.
A Visão do Papa Pio V e a Batalha de Lepanto
A 7 de outubro de 1571, o Papa Pio V estava numa reunião com um grupo de cardeais quando, de repente, se levantou, abriu uma janela e ficou a olhar fixamente para o exterior, sem se mover. Passado um momento, virou-se para trás e encerrou a reunião, pedindo a todos os presentes para darem graças a Deus pela vitória da frota cristã contra os turcos.
Ninguém no quarto sabia do que ele estava a falar. O acontecimento foi tão estranho e inesperado que o tesoureiro do Vaticano fez questão de o registar na ata da reunião. Duas semanas depois, chegou finalmente a Roma a notícia: uma frota combinada de navios sob o comando de Dom Juan da Áustria tinha triunfado sobre os turcos na Batalha de Lepanto. Uma das maiores batalhas navais da história humana tinha ocorrido precisamente no mesmo dia e à mesma hora da visão inexplicável do Papa.
Napoleão Bonaparte e as Profecias de Cagliostro
Alessandro di Cagliostro foi um dos profetas e ocultistas mais controversos do século XVIII. Odiado pela Igreja Católica e preso pelos franceses, auto-intitulou-se Conde de Cagliostro. Numa reunião maçónica em Paris, antes da Revolução Francesa, Cagliostro impressionou o público com previsões para a França baseadas em numerologia associada às letras dos nomes.
Nessa noite, previu a morte do rei Luís XVI, dizendo que aconteceria na noite de 23 de agosto de 1793. Previu também que a rainha Maria Antonieta seria presa antes de ser decapitada. Previu ainda que a Princesa de Lamballe escaparia da prisão e da guilhotina, mas que morreria na Rue des Ballets. Adivinhou em cheio: a princesa morreu exatamente nesse lugar, despedaçada por uma multidão enfurecida após ser libertada.
Quando os presentes lhe perguntaram sobre o fim da Revolução, Cagliostro consultou os números novamente e afirmou que um general seria eleito e assumiria poderes de rei, mas com um título totalmente novo. Quando lhe perguntaram o nome desse homem, ele respondeu: Napoleão Bonaparte.
Anos mais tarde, em 1812, Napoleão preparou a sua campanha na Rússia, que viria a ser desastrosa. O ponto de viragem deu-se nos arredores de uma pequena cidade chamada Borodino. A batalha foi um massacre que custou a vida a 30.000 franceses e 45.000 russos. Antes do combate iniciar, a esposa do general russo Toutschkoff teve um sonho nítido no qual se via numa estalagem onde o seu pai e o seu filho pequeno apareciam a dizer-lhe que o seu marido tinha caído em Borodino. Ela contou o sonho ao marido e, pouco tempo depois, numa estalagem a poucos quilómetros do campo de batalha, a premonição cumpriu-se exatamente como ela tinha sonhado.
Henrique IV e a Câmara de Jerusalém
O rei Henrique IV de Inglaterra passou grande parte da sua vida a achar que iria morrer em combate. Sendo um homem religioso, o seu grande sonho era a conquista da Terra Santa. No entanto, ele carregava uma premonição que tivera anos antes e que levava muito a sério: a de que iria morrer em Jerusalém.
Como esteve gravemente doente durante a maior parte do seu reinado, dizia de forma desafiante aos que o rodeavam que não podia morrer em Inglaterra, visto que ainda não tinha viajado até à Terra Santa. Quando o seu estado de saúde piorou drasticamente e a morte se tornou iminente, os seus servos levaram-no para um quarto na casa do Abade de Westminster. Num momento de lucidez, o rei perguntou se aquele aposento tinha algum nome específico. Responderam-lhe que se chamava "A Câmara de Jerusalém". Ao ouvir isto, o rei compreendeu a profecia e faleceu de imediato. Esta famosa ironia do destino foi mais tarde imortalizada por Shakespeare na sua obra "Henrique IV".
Moctezuma e a Queda do Império Asteca
O próprio Imperador Asteca, Moctezuma, era um astrólogo profundamente sintonizado com as profecias. Os mitos sobre o fim do seu mundo já existiam há séculos na Mesoamérica, e alguns falavam explicitamente de homens com armaduras estranhas e barbas brancas que viriam para os destruir. Outro rei sábio, Nezahualcoyotl, havia profetizado anos antes da chegada dos espanhóis que a destruição do velho mundo estava próxima, anunciada por presságios terríveis.
Moctezuma levou tudo isto muito a sério. Há relatos de que ele acreditava piamente que a chegada do conquistador Hernán Cortés, em 1519, marcava o regresso de Quetzalcoatl, um deus associado à astrologia. (Infelizmente, sabe-se bem a merda que os espanhóis fizeram onde meteram as patas).
Antes da invasão, uma cerimónia sagrada para acender o fogo que simbolizava o início de um novo ciclo temporal foi interrompida pelo pior dos presságios: um eclipse solar acompanhado por um terramoto e pela queda de um grande meteorito. Moctezuma teve visões detalhadas da conquista das suas terras por estrangeiros montados a cavalo. Um cometa rasgou o céu sobre a capital asteca de Tenochtitlan, antecipando o fim trágico e a destruição completa da sua civilização.
A realidade é que a história humana está repleta de visões e profecias que pareceram antecipar o futuro com uma precisão cirúrgica. Algumas podem ser lendas populares ou relatos romanceados pelo tempo, mas muitas outras permanecem sem qualquer explicação científica. De uma forma ou de outra, as premonições e a humanidade sempre caminharam de mãos dadas...
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