Mas o caso tem ligação com ele: Florencio Garcés, pároco do Santuário da Misericórdia, onde se encontra o mediático Ecce Homo, foi detido e ouvido, entre sexta-feira e domingo, no Tribunal de Tarazona, acusado de desvio de fundos no valor de 210 mil euros, mas também de branqueamento de capitais e abusos sexuais.
O padre, de 70 anos, acabaria por ser libertado no domingo, sem qualquer fiança, enquanto a investigação vai prosseguir. Nesse mesmo dia, cinco outras pessoas foram detidas por suposto envolvimento no mesmo processo.
Segundo o relato da agência Efe, a detenção de Florencio Garcés não tem ligação directa com as receitas que a pintura Ecce Homo tem vindo a garantir para a paróquia de Borja, desde que o seu responsável decidiu pôr a render o mediatismo conquistado com a intervenção de Celia Gimenez, cobrando um euro pela entrada na igreja.
Depois de ouvido durante cinco horas no tribunal, o advogado de Florencio Garcés, Enrique Trebolle, citado pela Efe, disse que só no final da investigação se saberá se “há fundamento para avançar com uma acusação”, mas acrescentou a sua convicção de que o padre "está inocente”.
Numa reportagem sobre o caso, o jornal britânico The Telegraph refere que a população de Borja manifestou publicamente o apoio ao seu pároco. E cita mesmo Celia Gimenez, que de certo modo se fez porta-voz do sentir dos paroquianos. “Não nos disseram em que consistem as acusações. Mas tanto quanto o conheço, [o padre Florencio Garcés] é um homem querido, que se preocupa com a sua comunidade desde há mais de vinte anos.".
Segundo aquilo que foi noticiado, as receitas recolhidas com as visitas ao Ecce Homo de Borja – mais de 70 mil euros durante um ano – eram destinadas a apoiar os habitantes de Borja com maiores dificuldades.
Este Ecce Homo, uma pintura com mais de um século assinada por Elías Garcia Matínez, depois de “restaurado”/desfigurado por Celia Gimenez tornou-se uma imagem viral. Começou por ser motivo de troça, mas depressa se transformou em ícone turístico e afectivo para esta terra da província de Aragão. E, em paralelo com a corrida ao Santuário das Mercês de Borja, a internet foi veículo de sucessivas campanhas e jogos em volta da imagem.
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