Padre espanhol da igreja do Ecce Homo acusado de desvio de fundos

Borja, a pequena cidade de cinco mil habitantes da província espanhola de Aragão, perto da capital Saragoça, voltou a ser notícia no último fim-de-semana. Desta vez não directamente por causa do seu Ecce Homo, a pintura de Cristo que em Agosto do ano passado se transformou num "ícone" viral, depois do “restauro” naïf que lhe foi feito pela artista amadora octogenária da terra, Celia Gimenez.
Mas o caso tem ligação com ele: Florencio Garcés, pároco do Santuário da Misericórdia, onde se encontra o mediático Ecce Homo, foi detido e ouvido, entre sexta-feira e domingo, no Tribunal de Tarazona, acusado de desvio de fundos no valor de 210 mil euros, mas também de branqueamento de capitais e abusos sexuais.
O padre, de 70 anos, acabaria por ser libertado no domingo, sem qualquer fiança, enquanto a investigação vai prosseguir. Nesse mesmo dia, cinco outras pessoas foram detidas por suposto envolvimento no mesmo processo.
Segundo o relato da agência Efe, a detenção de Florencio Garcés não tem ligação directa com as receitas que a pintura Ecce Homo tem vindo a garantir para a paróquia de Borja, desde que o seu responsável decidiu pôr a render o mediatismo conquistado com a intervenção de Celia Gimenez, cobrando um euro pela entrada na igreja.
Depois de ouvido durante cinco horas no tribunal, o advogado de Florencio Garcés, Enrique Trebolle, citado pela Efe, disse que só no final da investigação se saberá se “há fundamento para avançar com uma acusação”, mas acrescentou a sua convicção de que o padre "está inocente”.
Numa reportagem sobre o caso, o jornal britânico The Telegraph refere que a população de Borja manifestou publicamente o apoio ao seu pároco. E cita mesmo Celia Gimenez, que de certo modo se fez porta-voz do sentir dos paroquianos. “Não nos disseram em que consistem as acusações. Mas tanto quanto o conheço, [o padre Florencio Garcés] é um homem querido, que se preocupa com a sua comunidade desde há mais de vinte anos.".
Segundo aquilo que foi noticiado, as receitas recolhidas com as visitas ao Ecce Homo de Borja – mais de 70 mil euros durante um ano – eram destinadas a apoiar os habitantes de Borja com maiores dificuldades.
Este Ecce Homo, uma pintura com mais de um século assinada por Elías Garcia Matínez, depois de “restaurado”/desfigurado por Celia Gimenez tornou-se uma imagem viral. Começou por ser motivo de troça, mas depressa se transformou em ícone turístico e afectivo para esta terra da província de Aragão. E, em paralelo com a corrida ao Santuário das Mercês de Borja, a internet foi veículo de sucessivas campanhas e jogos em volta da imagem.

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