Do Oriente a Alcobaça: O Amor que Desafia a Sepultura


A morte costuma ser o ponto final, mas para alguns, é apenas um obstáculo. Recentemente, a Tailândia foi palco de um evento que parece saído de um romance trágico: Chadil Deffy, de 28 anos, casou-se com o cadáver da sua namorada, Ann, vítima de um acidente de viação.

O "Sim" no Além

Numa cerimónia budista na província de Surin, o luto deu lugar ao matrimónio. Chadil, em trajes de gala, uniu-se à sua amada vestida de noiva, provando que a brevidade da vida não foi suficiente para apagar o seu desejo.

"O nosso amor foi algo grandioso. Infelizmente, não podemos mudar o passado, mas hoje cumpro o meu desejo", confessou o noivo perante familiares e amigos.


A Lenda de Pedro e Inês: O Eco de Portugal

Ao ler esta notícia, é impossível não viajar no tempo até ao nosso Portugal do século XIV. A história de Chadil e Ann é o eco moderno da Lenda de Pedro e Inês, uma das mais belas e terríveis demonstrações de amor da História Mundial.

Tal como o jovem tailandês, o nosso Rei D. Pedro I recusou-se a deixar que a morte vencesse:

  • A Coroação Póstuma: Reza a lenda que, após subir ao trono, Pedro mandou exumar o corpo de Inês, coroando-a Rainha de Portugal e obrigando toda a corte a prestar-lhe homenagem no macabro ritual do "Beija-mão".

  • A Vingança e o Luto: Com o coração endurecido pela perda, Pedro perseguiu os assassinos de Inês, mas guardou a maior prova de amor para a eternidade.

  • Até ao Fim do Mundo: No Mosteiro de Alcobaça, Pedro mandou construir dois túmulos magníficos. Estão colocados frente a frente, para que, no dia da Ressurreição, ao despertarem, a primeira coisa que os seus olhos vejam seja o rosto um do outro.

Reflexão: Amor ou Loucura?

Confesso que hesitei em publicar isto. Estará este jovem tailandês ligado espiritualmente ao nosso "Rei Justiceiro"? Serão almas que reencarnam para provar que o amor não conhece limites físicos?

Seja pela compreensão da fé ou pelo abismo da saudade, estes dois casos mostram que, para o coração humano, "depois de morta, foi Rainha" não é apenas um verso de Camões — é uma promessa de eternidade.

1 Comentários

  1. ..q amor lindo e eterno, ambos a duas história terminaram tristes, mas amor verdadeiro é isso.

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